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O uso da máscara facial durante a pandemia e suas consequências

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O uso da máscara facial durante a pandemia e suas consequências

imagem Uso da máscara facial na pandemia e suas consequências

por Dra. Luci Mara França

Em 2020 as máscaras faciais tornaram-se um acessório de roupa usado todos os dias e em qualquer lugar. A maioria das autoridades sanitárias do mundo determinou que o uso de máscara facial é obrigatório para proteger a população de quaisquer riscos de doenças transmitidas pelo ar: “A proteção deve ser facilmente fornecida a todos os cidadãos do país”.

Medidas para evitar infecções são necessárias na atual pandemia e as máscaras faciais foram consideradas um primeiro passo para prevenir e conter a propagação da doença. Diferentes tipos de máscaras estão disponíveis no mercado para essa finalidade.

As máscaras respiratórias são dispositivos de proteção que cobrem uma parte do rosto. Eles são projetados para proteger tanto a pessoa que os usa quanto o ambiente de poluentes respiráveis ​​(venenos respiratórios ou organismos patogênicos bacterianos / virais). Enquanto uma máscara completa cobre todo o rosto, uma meia-máscara se ajusta debaixo do queixo até acima do nariz. A resistência à respiração varia proporcionalmente à densidade do material da máscara¹.

Máscaras de uso diário

Máscaras de uso diário (máscaras temporárias de tecido) não protegem o usuário de infecções. No entanto, é seguro presumir que há uma pequena redução do risco de transmissão por gotículas, especialmente durante a expiração, resultando em uma redução do potencial de disseminação viral.

Essas máscaras não devem ser usadas no sistema de saúde, mas são comumente recomendadas para a população em geral para caminhar, fazer compras ou usar transporte público. Porém um alerta:  a respiração umedece a máscara. Se houver umidade excessiva, as máscaras tornam-se herméticas. Portanto, o ar é inspirado e expirado sem ser filtrado, perdendo o efeito protetor tanto para o usuário quanto para o ambiente¹.

Se as máscaras não forem trocadas regularmente (ou lavadas corretamente quando feitas de pano), os patógenos podem se acumular na máscara aumento o risco de transmissão.

Máscara N95

Dentre todos os modelos de máscara facial disponíveis no mercado a N95 é a mais indicada para prevenção principalmente da equipe de saúde. Alguns estudos apresentaram maior sintoma de cefaleia em profissionais de saúde pelo uso de maior tempo da N95 devido a alteração de hemodinâmica cerebral. Um outro estudo de 2020 apontou para o alerta de um aumento significativo na pressão parcial de dióxido de carbono (CO2) durante a atividade física com o uso da máscara N95, podendo os indivíduos saudáveis manterem a prática de exercício com uso de máscara, já pessoas com problemas cardíacos, diabetes ou outras doenças sistêmicas é preciso observar de forma mais efetiva sua respiração durante a atividade². 

A acidose respiratória aguda, ou seja, diminuição na frequência e/ou volume respiratório devido a obstrução do fluxo de ar, pode causar dor de cabeça, confusão, ansiedade, diminuição da tolerância ao exercício e, em níveis extremos, visão turva, vômito, desorientação, instabilidade hemodinâmica, sonolência e estupor (narcose por CO2).

O efeito do uso de máscara durante uma curta caminhada (5‐6 minutos) foi avaliado em outros estudos e descobriram que o uso de máscara cirúrgica ou N95 não alterava a saturação do oxigênio mas estava associado ao aumento do esforço muscular respiratório 3-4.

Respirar usando máscara pode afetar a respiração:

  1. Médicos pneumologistas afirmam que o uso da máscara facial não afeta as taxas de oxigênio (O2) no sangue do usuário ou sequer prende qualquer quantia de dióxido de carbono significativa. O que acontece é uma mudança no padrão respiratório devido a esta nova rotina e como a respiração é inconsciente na maior parte do tempo, o desconforto do uso da máscara pode afetar a mente, gerando ansiedade.
  2. Alterar o padrão da respiração inconsciente tende a levar a uma respiração anormal: hiperventilação (respiração rápida ou curta) ou hipoventilação (muito lenta ou de maneira superficial), e quaisquer destes fatores pode levar a uma sensação de falta de ar ou tontura. Com isso, o sistema nervoso reage a sinais corporais, e se o desconforto leva a hiperventilação, a mente pode interpretar como uma ameaça e despertar a ansiedade. Assim, se alguém hiperventila, ou seja, começa a respirar muito profundamente e com muita frequência, provavelmente é porque usar uma máscara os deixa ansiosos ou nervosos.
  3. Para evitar esta sensação os pneumologistas indicam técnicas simples de respiração como a “respiração quadrada” e a “respiração abdominal”, por exemplo. São métodos encontrados na Yoga e também usado por forças militares especiais dos EUA para conter a ansiedade em situações de perigo.
  4. Respirar é natural para todos, mas com uma máscara no rosto pode ser necessário reaprender e praticar por um tempo até que fique confortável.

Como fazer a respiração quadrada:

Este método nos ajuda a regular nossa respiração de uma forma mais consciente e também reduz o estresse e a ansiedade, ativando o sistema nervoso parassimpático

– Comece inspirando pelo nariz durante 4 segundos

– Segure a respiração por 4 segundos

– Exale pelo nariz durante 4 segundos

– Segure novamente durante 4 segundos

– Repita quantas vezes for necessário

Outra questão relacionada ao uso contínuo das máscaras pela população em geral tem sido os micro movimentos mandibulares ou hábitos parafuncionais realizados pela presença da máscara na face por muito tempo, talvez por desconforto ou para ajuste da mesma. Ainda não existem estudos apontando para este feito, porém clinicamente é perceptível o aumento da queixa de dores musculares nos músculos da mastigação e relato de mudança de postura da mandíbula mantendo-a protruída e com os músculos tensionados.

Com esta nova rotina pós pandemia muitas pessoas tiveram mudança em seu estilo de vida, mudança na rotina do sono, aumento de ansiedade, preocupação e problemas de relacionamento que são fatores relacionados ao aumento de contrações musculares que podem gerar dor muscular dentre elas as dores faciais. O alto nível de estresse aumenta em 6 X mais a possibilidade de a pessoa apresentar bruxismo em vigília que pode ser por apertamento dental ou contração muscular sem encostar dos dentes, esses hábitos realizados com frequência podem ser gatilhos em algumas pessoas para desenvolver uma disfunção temporomandibular dolorosa.

A orientação de se manter alerta ao seu corpo, conscientemente, observando os possíveis hábitos adquiridos é a melhor forma para evitar possíveis alterações e dores faciais.

  1. Matuschek Christiane et al. Face masks: benefits and risks during the COVID-19 crisis. Eur J Med Res. 2020; 25: 32. doi: 10.1186/s40001-020-00430-5.
  2. Korytny Alexandre et al. Return to training in the COVID‐19 era: The physiological effects of face masks during exercise. Scand J Med Sci Sports. 2020 Sep 30 : 10.1111/sms.13832.
    doi: 10.1111/sms.13832
  3. Person E, et al. Effect of a surgical mask on six minute walking distance. Rev Mal Respir. 2018;35:264‐268.
  4. Chen Y, Yang Z, Wang J, Gong H. Physiological and subjective responses to breathing resistance of N95 filtering facepiece respirators in still‐sitting and walking. Int J Ind Ergon. 2016;53:93‐101.
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